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Reza a história que tudo começou ainda no séc. XVII, quando os pastores vinham com os rebanhos da Serra da Estrela e se dirigiam para a Serra de Montemuro, onde os pastos eram mais verdes quando começava o calor. Os pastores encontravam, naquele local um sítio para repousar e com muita água para o rebanho, nessa altura o Padre José Mesquita resolveu construir a capela onde o Stº António de iria tornar “padroeiro”. Ninguém sabe bem porquê o Stº António, mas à quem diga que é o Santo do Gado outros dizem que é o Santo de todas as causas.
A romaria começa bem cedo por volta das 8h da manha. A essa hora começam a chegar os primeiros devotos, vindos um pouco de toda a Beira Alta, pois a parte religiosa é pelas 11h com a missa campal e uma procissão, mais ou menos a essa hora começam a chegar os primeiros pastores vindos um pouco de toda a parte, principalmente das aldeias de Mangualde. Há feirantes instalados um pouco por toda a Serra , onde se come e principalmente bebe o vinho do Dão, não faltando também os negociantes de “material” ligado ao pastoreio.
José da Costa Cesário com os seus 74 anos é talvez o mais velho dos pastores presentes ontem, diz com orgulho que vai com o seu rebanho ao Stº António dos Cabaços desde os 12. O pastor e o filho vêm com rebanhos diferentes, para que elas sejam “abençoadas”, mas diz que outros é por promessa, mas principalmente porque é tradição e costume. Para que não se perca, enfeitam os animais com bonecas de pano, flores, fitas, pendentes dos galhos e rumam a S. Cosmado. Encontramos Laura Ramos da comissão organizadora, que nos contou que antigamente também era costume os pastores pagarem as suas promessas com lã, a que chamavam de “velos” e eram entregues às comissões para se vender e realizar dinheiro para o 13 de Junho do ano seguinte. Por volta das 16h as largas centenas de pessoas presentes, começam a juntar-se junto à capela, o primeiro rebanho avança na sua direcção, as cabras e ovelhas seguem “religiosamente” o Pastor e andam à sua ordem. Diz a tradição que o rebanho tem que entrar pela direita, dar pelo menos uma volta e só depois pode contrariar o rumo. Depois de 10 minutos de contornarem a capela, sai o rebanho entra outro e outro e outro. Esta ano o Stº António dos Cabaços contou com cerca de duas dezenas de rebanhos. A tradição ainda é o que era e pela vontade dos pastores continuará a ser.
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| 13 Jun 2007 - 4399 visitas |
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