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1 DE JULHO DE 2007 Jornal Renascimento
João Nuno Gonçalves Azevedo, é o líder da concelhia de Mangualde do Partido Socialista. Foi cabeça de lista pelo PS nas últimas autárquicas e faltaram-lhe pouco mais de três centenas e meia de votos para se sentar na cadeira da presidência da Câmara de Mangualde. Como líder da oposição na Edilidade Mangualdense, tem caracterizado a sua actuação com uma oposição pontual e sistemática ás orientações da maioria PSD, com posições mediáticas em acontecimentos, ou factos políticos, que animaram os últimos tempos no concelho.
O Dr. João Azevedo dispôs-se a falar ao Renascimento, respondendo com solicitude às questões que lhe colocámos.
Ren. -Na noite das eleições, não conseguindo alcançar a presidência da Câmara por 380 votos, prometeu que voltaria a disputar a Câmara em 2009. A menos de dois anos da próxima disputa eleitoral mantém a mesma vontade?
J.A.: na noite das eleições quando falei para os mangualdenses disponibilizei-me para continuar a defender Mangualde, a causa de todos nós. Referi que se o Partido Socialista e os mangualdenses entendessem que eu seria o melhor candidato nas próximas eleições autárquicas estaria disponível. Foi uma grande honra ter disputado aquele acto eleitoral. Principalmente por acreditar que Mangualde é uma terra de futuro e que tem pessoas com muita qualidade. Acredito convictamente que em conjunto poderemos colocar Mangualde novamente na senda o desenvolvimento.
Ren. -É do conhecimento público que mantém um relacionamento próximo com as altas esferas do poder. Não faz parte das suas ambições políticas uma candidatura nas listas à Assembleia da República? J.A.: Saberei avaliar em cada momento aquilo que for melhor para Mangualde. Servir Mangualde é e será sempre a minha prioridade. Quem me conhece sabe que é assim.
Na foto: Ministro da Admin Interna, Dr Rui Pereira, Governador Civil de Viseu, Dr Acácio Pinto,Vereador pelo do PS na CMM, Dr João Azevedo e o Ten.Corenel Amaral Dias, Comandante Distrital da GNR
Ren. – A ser candidato à Câmara, como afirma, nas próximas eleições autárquicas, pensa fazer alterações de fundo à equipa de pessoas que o acompanhou e que era composta por individualidades de várias áreas do sector político, ou vai manter a espinha dorsal da equipa e voltaremos a ver os mesmos rostos nos próximos cartazes?
J.A.: Repito: só serei candidato se o Partido Socialista e os Mangualdenses me derem um sinal para isso. É uma honra para mim continuar a ter ao meu lado na Comissão de Honra, nas listas e nas várias centenas de pessoas que me apoiaram por todo o concelho, gente de tanto valor e de tão enorme craveira. Pessoas que representam todos os quadrantes político-partidários existentes no nosso concelho e milhares de independentes que acreditaram e acreditam neste projecto. Conto com todos. Tenho visto com agrado o contínuo aumento de pessoas que apostam no nosso plano estratégico. Pessoas essas vindas das mais variadas áreas profissionais, sociais e políticas. A lista a apresentar ao eleitorado vai reflectir toda essa diversidade. Todas as pessoas que me acompanharam e acompanham demonstram possuir qualidade, competência e lealdade. Ren. – Mas tem algum trunfo na manga para apresentar ao seu lado ao eleitorado?
J.A.: Este projecto político é um projecto que não é estanque. É aberto. Mas há 3 questões que são essenciais e de que não abdico: um projecto, uma equipa, um líder. Para que tal aconteça tem que haver verdade, lealdade, assunção das responsabilidades. Não pode existir a tradicional prática de atirar as culpas para cima dos outros. Só assim quem assume responsabilidades políticas contribui para a credibilização da causa pública. Isto é fundamental e constitui a primeira obrigação de qualquer político. Qualquer pessoa que possa surgir como novidade, neste projecto, tem que reunir estes requisitos.
Ren. – Consta-se, com frequência, que o Senhor tem exercido um magistério de influência junto do poder central para atrair fundos, dinheiros e investimento para o concelho. Isso mesmo foi referido nalgumas cerimónias públicas como no caso dos apoios à Adega Cooperativa de Mangualde, à Igreja de Abrunhosa do Mato, à de Chãs de Tavares, e mais recentemente ao apoio concedido para a construção de duas creches: uma em Santiago de Cassurrães e outra em Mangualde. Não lhe parece que essa estratégia só favorece o poder autárquico vigente?
J.A.: Tenho cumprido a minha obrigação, fiz o que tinha a fazer e jamais me arrependerei de fazer o que tenho feito. Desde que efectuado com transparência, lealdade e segundo as regras do estado de Direito, ganha Mangualde e ganham os mangualdenses. Só a título de exemplo e falando novamente na área da acção social posso deixar claro que nos últimos dois anos foram investidos pelo Governo em Mangualde cerca de 319 212 euros, em várias instituições do concelho, onde já estão abrangidas as creches de Santiago de Cassurrães e da Santa Casa da Misericórdia. A somar a este investimento estão de igual modo as obras de valorização do serviço local da segurança social, Casa do Povo, a rondar os 80 000 euros. Mantenho uma relação muito próxima com as instituições e colectividades deste concelho. Tenho uma preocupação permanente de perceber de que forma é que essas instituições e colectividades podem recorrer a programas de financiamento. Mas como disse e repito é minha obrigação. Não estamos a fazer favor nenhum. Aproveito a oportunidade para felicitar todos esses homens e mulheres que se dedicam à causa pública, colocando os interesses da comunidade acima dos seus próprios interesses. É, também, com agrado que vejo concretizar a vinda para Mangualde de um serviço descentralizado do Ministério da Educação. Esse serviço irá reforçar a relação institucional com as autarquias, associações de pais e de estudantes e demais organizações com responsabilidades na comunidade educativa. Esta equipa de apoio às escolas (EAE) vai coordenar sete concelhos deste distrito. É a primeira vez nas últimas décadas que recebemos um serviço descentralizado do Estado em Mangualde. Do mesmo modo, estão a ser desenvolvidos todos os esforços com vista a garantir a continuidade dos serviços do Ministério da Agricultura, funcionando em moldes diferentes, sempre com o intuito de potencializar o apoio aos agricultores e a sua actividade. Tudo isto só foi possível graças ao empenhamento e à estreita colaboração com as respectivas Direcções Regionais. Na mesma senda, é importante para Mangualde o investimento a realizar no Palácio de Justiça, onde vão ser investidos cerca de 100 000 euros na construção da segunda sala de audiências, dentro do programa nacional em curso de criação de novas salas. Tudo isto tem sido feito com o contributo das pessoas que estão à frente destas instituições. São elas as grandes responsáveis por tudo isto acontecer. Eu apenas me limitei a acompanhar os processos, debatendo-me pelo seu sucesso. Mas mais virão. E no limite das minhas forças cada instituição e cada colectividade terá sempre a minha disponibilidade e o meu esforço. Estamos a cumprir a responsabilidade que os eleitores de Mangualde nos deram.
Ren. – Mas não seria preferível usar essa influência só quando for eleito Presidente da Câmara?
J.A.: A minha colaboração com as instituições do concelho não é feita tendo em vista calendários eleitorais. O único critério é a satisfação das necessidades dessa instituições. Não contem comigo para desperdícios de dinheiros públicos norteado por meros benefícios eleitoralistas. Há coisas para as quais não poderão contar comigo.
Ren. – Sim, mas essas obras e esses apoios ficarão ligados a um mandato de Presidente que não é o seu…
J.A.: Essas obras ficarão ligadas ao desenvolvimento de Mangualde e isso é que interessa...
Ren. – Na penúltima reunião de Câmara Municipal congratulou-se com a grande obra do novo quartel dos Bombeiros Voluntários e com a concretização da permuta do terreno, então na posse da Direcção Geral do Património, referindo que haveria algo para contar...
J.A.: Sobre esta matéria apenas me apraz felicitar a Associação dos Bombeiros Voluntários de Mangualde pela grande obra desenvolvida em prol dos mangualdenses. Obra essa no valor de 1 milhão e meio de euros, representando a maior obra realizado no concelho nos últimos dez anos. O caso da permuta demorou dez anos a ser resolvido. Ainda bem que está resolvido...
Ren. – Por falarmos em influências, não acha que foi despropositado e pouco aconselhado o envolvimento que colocou na questão da PSA Peugeot Citroën?
J.A.: Na vida pública tem que se cultivar a verdade. E os mangualdenses devem optar pela verdade. Ninguém compreende que uma carta do maior empregador e investidor em mangualde - PSA Peugeot Citroen a manifestar preocupação e interesse na sua expansão no concelho esteja retida numa gaveta durante 5 anos sem qualquer resposta... A situação era de tal maneira grave que foi necessário ser a própria administração a tornar esta situação pública. Uma câmara moderna é “investment friendly”, ou seja amiga do investimento, não levanta obstáculos ao investimento, pelo contrário facilita-o. Aliás, foi com agrado que vimos assinar o acordo entre o estado português e a Citroen para incentivar a modernização da empresa no valor de 7.6 milhões de euros. O meu envolvimento foi o adequado à gravidade da situação.
Ren. – Quer isso dizer que a reunião de urgência que colocou na mesma mesa o Presidente da Câmara de Mangualde, o Presidente da API e o Ministro da tutela foi da sua iniciativa?
J.A.: Não. Sempre que tive oportunidade fiz as minhas “démarches” para que a tutela compreendesse a gravidade de situação. Felizmente que o Governo soube dar a devida prioridade a este assunto.
Ren. – Acredita mesmo que o Presidente da Câmara não iria fazer nada para evitar uma catástrofe dessa natureza? Ele próprio chegou a dizer que estava empenhado na permanência da PSA Peugeot Citroën desde que tomou conhecimento do assunto…
J.A.: Uma coisa é dizer, outra é fazer. É uma forma estranha de manifestar empenho ter uma carta guardada durante 5 anos no fundo de uma gaveta. Os mangualdenses souberam avaliar este processo. Aliás, esta atitude não é muito diferente de outras. Fazendo uma retrospectiva dos últimos 21 meses lembro a mentira acerca da vinda do IKEA para Mangualde. Tenho dados concretos de pessoas que estiveram nesse processo e que sabiam que o sigilo era fundamental para a vinda de tal investimento para Mangualde. No entanto, uma semana antes das últimas eleições autárquicas foi anunciado publicamente que este investimento viria para Mangualde. Foi de grande leviandade o que se fez para ganhar umas eleições autárquicas, foi prejudicado um concelho, uma região e os responsáveis têm um nome. Quem realmente ama o seu concelho não o prejudica por um punhado de votos!
Ren. – Bem, mas o caso IKEA é um pouco diferente. Era uma indústria que ainda não estava instalada e no caso PSA Peugeot Citroën não é bem assim, estavam em causa milhares de postos de trabalho directos e indirectos…
J.A.: Está a ver como tenho razão... estes dois processos revelam incapacidade e incompetência... como acha que os mangualdenses se sentem depois de terem visto fugir o IKEA para Paços de Ferreira? Como acha que os mangualdenses se sentem perante o ultimato da PSA Peugeot Citroën? Atitudes como estas demonstram uma profunda falta de respeito pelos milhares de pessoas que dependem directa e indirectamente da indústria do nosso concelho. Faz ideia de quantos presidentes da câmara gostariam de ter um património industrial como Mangualde ainda tem? Não deixarei cair no esquecimento este dois casos.
Ren. – Falando no IKEA, pelo que conhece do processo é sua convicção que Mangualde teria condições para acolher um investimento dessa envergadura num tão curto espaço de tempo?
J.A.: Mangualde tinha e tem todas as condições para receber investimentos privados de montantes significativos e nesse caso concreto esta unidade encaixava-se que nem uma luva em Mangualde, fechando o ciclo do sector produtivo das madeiras. Temos a produção da floresta, dos aglomerados de madeiras com a SONAE Indústria, falta-nos a componente de maior valor acrescentado que é a do mobiliário e a da valorização energética, central de biomassa. Só com a criação de valor acrescentado há criação de mais emprego e mais emprego qualificado. Muitas vezes há oportunidades que não se repetem. Foi uma oportunidade perdida por um pormenor disparatado e inexplicável... Seria bom que este episódio não se repetisse no caso da central termoeléctrica de biomassa, como atempadamente alertámos em reunião do executivo camarário. Temos urgentemente de revitalizar e acarinhar a nossa marca industrial.
Ren. – É ponto assente que nestes últimos dois anos o concelho registou um progresso assinalável na qualidade da malha viária, não lhe parece que fica pouco espaço de manobra para o futuro Presidente da autarquia?
J.A.: Considero que um presidente de câmara moderno não pode usar como bandeira eleitoral a requalificação de estradas. Isto é uma obrigação de quem governa com o dinheiro de todos nós. E falando em rede viária é um dado real que a mesma foi melhorada significativamente. Mas gostava de saber porque é que o anel rodoviário tão prometido e badalado pela actual gestão camarária ainda não foi executado. A circular norte que deveria ligar a avenida da Senhora do Castelo à estrada da Roda começou a ser executada em 2003 e ainda não foi concluída. A estrada da Roda desde a Igreja Matriz à variante de acesso à A25 foi iniciada e está parada. A avenida do centro de saúde, a tão afamada estrada do centro de saúde foi iniciada em Agosto de 2005, em véspera de eleições e ainda não está terminada aproveitando para acrescentar que há uma promessa eleitoral que se traduz na ligação entre cubos e a EN 234, a tão propalada variante sul. E como estas há muitas que se estendem por todo nosso concelho. Como pode ver e não disse tudo não nos falta espaço de manobra, além do mais é demasiado redutor e revela falta de visão e ambição resumir os investimentos de uma câmara à rede viária. Já alguém deu conta de que fomos um dos últimos concelhos do distrito a requalificar a malha viária? Nesta altura o concelho já devia estar mobilizado para outras obras estruturantes.
Ren. – Então, no seu ponto de vista, que opções estruturantes é que podem marcar o seu mandato caso venha a ser eleito Presidente da Câmara?
J.A.: É prematuro responder a esta questão. Em primeiro lugar porque é necessário que seja confirmada a minha candidatura. Em segundo lugar é necessário que o projecto por mim encabeçado saia vencedor. No entanto sabemos o que desejamos para Mangualde. Mangualde necessita de um nova geração de políticas. Políticas centradas nos cidadãos e não centradas nos políticos. Políticas onde a melhoria da qualidade de vida dos mangualdenses seja de facto uma prioridade e não meras palavras como até aqui. Uma autarquia moderna, uma autarquia como queremos para Mangualde e com a qual os mangualdenses sonham, não tem medo de ter uma verdadeira política social. Não tem medo de definir prioridades no campo da habitação social e depois disso levá-las à prática. O que temos actualmente nesta questão não são mais que meros castelos nas nuvens, cuja configuração vai mudando ao sabor do vento. Uma autarquia moderna e preocupada com o bem-estar dos seus munícipes menos favorecidos não brinca às promessas com quem precisa de resoluções concretas. Num concelho envelhecido, aliás como boa parte dos concelhos de Portugal, há que ser inovador. O apoio à terceira idade não só é um dever moral como tem de ir de encontro às verdadeiras necessidades daqueles que durante toda uma vida ajudaram a construir o país e o concelho. Apoiar as instituições onde tanto já se faz, para que mais possam fazer é prioritário face à mera e esporádica realização de eventos, que embora necessários não podem ser a única face da autarquia nesta questão.Potencializar a Economia Social, o famoso terceiro sector, não só contribuirá para melhor qualidade de vida dos nossos anciãos, como permitira a criação de emprego aos mais jovens. Tudo isto com uma aposta na coesão social. Qualidade de vida é indissociável de forte preocupação ambiental. Essa preocupação tem que ser para todo o concelho. Essa preocupação não existe. Aliás esta é uma realidade à vista de todos e em todas as aldeias e freguesias. Pensar o ambiente passa por criar uma efectiva e cabal rede de ETAR que cubra todo concelho, mas também tem necessária mente de contemplar melhorias na recolha selectiva dos resíduos. Em Mangualde faz falta um verdadeiro parque urbano na cidade, onde as centenas de caminheiros que todos os dias se exercitam em passeios por calcetar e em ruas esburacadas, possam passar a fazê-lo num ambiente agradável, seguro e condizente com o que de melhor se faz noutras cidades do país. A marca de qualidade nas opções camarárias tem de ser clara e evidente. E isso não é despesa má, mas sim investimento. Colocar a tónica na atracção de mais e melhor investimento para o concelho exige a modernização dos parques/zonas industriais. Actualmente qualquer empresário que visite Mangualde julgará que ninguém está interessado em que ele cá invista. São os próprios empresários de Mangualde quem constantemente se queixa das miseráveis condições propiciadas pela autarquia. Outros bem perto de nós fazem diferente e fazem melhor. Resultado: as empresas não vêm para Mangualde apesar das mais valias da sua localização geográfica e da capacidade de trabalho das suas gentes. A requalificação urbana do centro da cidade é fundamental para revitalizar o comércio tradicional. Mangualde precisa de brilho.A qualificação dos territórios e das suas populações é aquilo que, num futuro muito próximo, distinguirá os municípios aptos para enfrentar as mudanças impostas pela globalização, daqueles que agarrados a modelos ultrapassados não terão qualquer hipótese de sobrevivência num mundo competitivo. A aposta nas gerações mais novas e na sua modelar qualificação e formação não pode deixar de ser a grande prioridade do município. Sem um parque escolar moderno, que possua todas as valências inscritas nos normativos legais, e permanentemente reequipado, não será possível dar aos mangualdenses uma clara hipótese de futuro. Não é admissível relegar esta prioridade para segundo plano por mera incapacidade de gestão. Desperdiçar o QREN como se fez com outros fundos, recentemente, seria criminoso. Os mangualdenses não só não o compreenderiam como, certamente não o perdoariam.
Ren. – Mas acha que a dívida da Câmara é compatível com esses avultados investimentos?
J.A.: O que é lamentável é que haja tamanha dívida sem obra feita em sectores tão fundamentais como estes.
Ren. – Que soluções é que guarda para resolver o passivo financeiro da autarquia quando for eleito?
J.A.: A resposta para esta pergunta tem de ser enquadrada no actual quadro legal de financiamento das autarquias e do cumprimento de me tas rigorosas que a Câmara tem de se habituar a cumprir. O meu compromisso reside na fixação de uma estratégia que não as senta na gestão pontual de conflitos e intrigas, e num despesismo galopante. A certificação dos serviços camarários é essencial e deve reflectir uma gestão controlada ao pormenor e desta forma reduzir o desperdício que existe actualmente na Câmara Municipal de Mangualde o que é fundamental. O dinheiro que a câmara usa é dinheiro de todos nós e é uma obrigação de todos nós fazermos dele um uso cada vez melhor e com mais qualidade e utilidade. Mas esta minha avaliação é uma avaliação que se transfere imediatamente para as questões mais mediatizadas. Quem não consegue uma estratégia de organização interna dos serviços não consegue ter uma estratégia que permita captar para Mangualde, o que mangualde necessita, quer sejam fundos públicos quer sejam investimentos privados. Algo que não faria era dar 2.500 euros para um torneio de golfe realiza do em Viseu... e como este muitos outros.
Ren. – O Presidente da Câmara diz que as dívidas da autarquia não preocupam os munícipes. A sua visão parece oposta a esta…
J.A.: Custa perceber como é que o representante máximo dos mangualdenses diz uma coisa dessas dos seus munícipes. Será que cada um de nós não sabe o que é gastar mais do que aquilo que se tem? Todos sabemos o que acontece a quem ganha 100 e gasta 200. As contas são fáceis de fazer e incomodam. O Senhor Presidente da Câmara diz que os munícipes não se importam com a dívida: mas depois é aos munícipes a quem aumenta as taxas da água, do lixo, do saneamento e aumenta as taxas dos impostos municipais que afectam os munícipes e as empresas do concelho. Mesmo as sim, com todos esses aumentos, a dívida aumenta de forma galopante. Pergunte-se aos fornecedores, às diversas Associações e às Juntas de Freguesia o que pensam das dívidas da Câmara Municipal.
Ren. – Resolver o passivo da autarquia pode passar por dispensar pessoas afectas à administração local?
J.A.: Os funcionários da Câmara não podem ser responsabilizados pelo aumento da dívida dos últimos 10 anos, que passou de cerca de cerca de 3,3 milhões de euros e que nesta data ronda os 18 milhões de euros a médio e longo prazo, sem contar com cerca de 7 milhões de euros por conta do orçamento. O responsável tem um nome, e as pessoas sabem quem é.
Ren. – Isso quer dizer que os Recursos Humanos não são uma das suas preocupações quando chegar à Câmara?
J.A.: Os recursos humanos são aquilo que de mais importante qualquer organização tem. A nossa gestão reger-se-á pelo maior respeito por todos os colaboradores, com regras claras e objectivas onde cada um saberá o que de si é esperado com rigor e isenção, sem favorecimentos ou perseguições. Tendo sempre presente que são os próprios colaboradores da Câmara municipal de Mangualde que reconhecem que o interesse público do concelho está acima de qualquer interesse pessoal.
Ren. – Recentemente foi realizado um debate sobre a implementação do novo sistema de avaliação de funcionários públicos, não acha que a autarquia demonstrou aí que também está preocupada com esta nova avaliação que afectará a carreira dos funcionários autárquicos?
J.A.: É curioso que tenham sido os funcionários da Câmara a promover esta iniciativa em conjunto com a Rádio Mangualde e que o actual Presidente da Câmara não tenha comparecido.
Ren. – Sim, mas esteve representada pela Vice Presidente que terá, segundo se crê, a pasta dos Recursos Humanos…
J.A.: Sim obviamente, mas faltou o Presidente que deveria comparecer num processo de tal importância deixando os funcionários a confirmação da ausência de liderança nos processos importantes. É ao presidente que cabe dar respostas concretas. A Câmara de Mangualde tem de estar num processo de certificação dos serviços e ao mesmo tempo cumprir o pressuposto legal de avaliação dos funcionários. Isto porquê? Porque o resultado será a melhoria da prestação de serviços aos mangualdenses e ao mesmo tempo não se criam tantas injustiças no meio laboral permanente da câmara.
Ren. – Mas porque é que avalia tão negativamente a organização da Câmara Municipal de Mangualde?
J.A.: Esta avaliação é comprovada por vários factos. A saber: demissão de três dos cinco chefes de divisão da CMM; o pedido de suspensão de mandato de um vereador, com uma justificação que se veio a revelar infundada; demissão do vice-presidente com a denúncia pública de factos muito graves, tudo isto com reflexos na gestão do dia a dia das relações laborais e políticas da CMM. A constante ausência do presidente da câmara no dia a dia da mesma quando a câmara está cheia de problemas. Como se explica que a Câmara neste momento tenha um único vereador em regime de permanência? O facto de 3 de chefes de divisão se terem demitido e os seus lugares continuarem por ocupar é revelador do papel que a gestão de recursos humanos tem tido nesta câmara. Por exemplo no processo do Siadap tal facto origina um atraso significativo na dita avaliação dos funcionários. O rigor e a modernização organizativa são essenciais para que a câmara funcione bem. Como consequência tem o permanente faz e desfaz das pequenas obras municipais, consumindo avultados montantes de dinheiros públicos com o único objectivo de atirar areia aos olhos dos mangualdenses. Faz-se muita poeira e pouca obra. Por exemplo já reparou que o recinto da feira, erroneamente apelidado de multiusos, está em processo de faz e desfaz há cerca de sete anos? Já reparou que passados dois anos a Avenida da Estação ainda está por concluir? Já reparou há quanto tempo está esventrada a Estrada da Roda? Há algo comum a tudo isto: muita terra, muito pó e pouco alcatrão. Já reparou que o PDM está para ser revisto há dez anos e que não temos qualquer plano de trânsito? Já reparou que ainda não vimos o mínimo sinal da Central de Camionagem, ou da remodelação do Mercado Municipal? Ou da tão prometida Pista de Atletismo em tartan? Onde está o apoio técnico e logístico às Juntas de Freguesia? É necessário valorizar o papel dos autarcas, que pela sua proximidade sentem diariamente os anseios das populações. Julgo que qualquer mangualdense, se apercebe da profunda desorganização que reina na Câmara Municipal de Mangualde. Desorganização essa que advém da falta de liderança, da inexistência de uma equipa coesa e que esteja disposta a desenvolver um projecto estratégico de desenvolvimento para o concelho de Mangualde
Ren. – O que é que Mangualde pode esperar de si se for eleito Presidente?
J.A.: Em Mangualde todos sabem o que de mim podem esperar. Sabem que nunca prometo o que não posso cumprir, sabem que não tenho a ambição de a todos agradar. A minha ambição é sim pôr ao serviço da nossa terra novos valores para uma nova época: verdade, rigor, inovação, garra. Devolver aos mangualdenses o orgulho em ser de Mangualde. Tornar Mangualde um concelho liderante na região Centro. Motivar organismos públicos e sector privado para devolver à nossa terra a dinâmica que sempre teve.
Entrevista conduzida por Nelson Veiga

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| 4 Jul 2007 - 6365 visitas |
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