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Caros Mangualdenses, todos conhecemos o problema de vitalidade que o nosso concelho possui. No decorrer da maior parte do ano há falta de divertimento, de lazer, de alegria, o que nos transporta, inevitavelmente para o aconchego do lar, ou então nos leva a procurar outros destinos em busca de tudo aquilo que por cá não existe. Este êxodo de cariz cultural, é deveras preocupante por diversas razões. De ano para ano, Mangualde é cada vez mais um concelho onde se habita cada vez mais por razões económicas, e é cada vez menos um local onde se vive por referências sociais, culturais ou mesmo comerciais. Segundo dados do Instituto Nacional de estatística, não há no concelho de Mangualde falta de investimento em actividades culturais, já que em Mangualde são dispendidos cerca de 97, 1 euros por habitante ano em cultura (cerca de 2milhões de euros no total), enquanto a média nacional se situa nos 86,6 euros por habitante. Em Viseu, por exemplo, estas despesas apenas chegam aos 42,7 euros por habitante, ou seja, menos de metade daquilo que a nossa autarquia despende. Estes dados permitem-nos desde logo alcançar inúmeras interrogações! Se as verbas para a cultura existem de forma significativa, qual a razão de tanta falta de vitalidade no concelho? Porquê a inexistência de um cartaz cultural de carácter anual? Como será possível desenvolver uma política cultural sem a existência de infra-estruturas dignas para a cultura? Se Mangualde não possui, nem teatro, nem cinema, nem museu, qual a razão de tamanha verba destinada a cultura? Muitas seriam as páginas que poderia escrever relativamente a estas questões, mas ficar-me-ei por uma explicação sucinta. Considero que a opção da autarquia tem sido a de, centrar quase todo o investimento cultural em duas ou três fases do ano, sendo elas as Festas da Cidade (Feira Medieval), a Feira dos Santos e as festas de Sra. do Castelo, atribuindo a restante fatia do orçamento da cultura a associações recreativas e culturais. O problema é que as efemérides locais não duram no seu conjunto, mais do que duas semanas ao ano, e todo o trabalho desenvolvido pelas associações recreativas e culturais está demasiado centrado na cultura de outros tempos. Tenho a convicção que existem associações muito úteis, mas não hesito em afirmar que algumas destas poderiam ter um contributo mais voltado para o desenvolvimento da cultura contemporânea. Dito isto, considero ser muito relevante uma mudança de estratégia nas políticas culturais locais, onde a linha condutora deverá ser uma maior distribuição das verbas existentes para a cultura ao longo do ano. Preservar as actuais políticas só faz sentido, quando a iniciativa privada tem condições para desempenhar um papel cultural de substituição ao poder político local. Como esta situação não ocorre em Mangualde, talvez seja o momento de criar um cartaz cultural anual (fado, teatro, dança, música, etc.), capaz de satisfazer, criar e estimular necessidades culturais que muito poderiam dinamizar a vida concelhia. Vamos tirar as pessoas de casa e transformar Mangualde numa cidade dinâmica!
Por um concelho mais vivo! Ass: Lúcio Balula Júnior
suguestões e comentários para : luciobalula@hotmail.com
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| 28 Fev 2008 - 710 visitas |
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