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Leitura da Sentença - 4 Junho
O homem acusado de ter assassinado a mulher, junto a uma lagoa em Cunha Baixa, Mangualde, pode ser condenado a mais de 20 anos de prisão. Essa foi a pena pedida pelo procurador do Ministério Público durante as alegações finais do julgamento que, tal como o nosso Jornal noticiou ontem, está a decorrer no tribunal mangualdense. O representante da acusação destacou a "vontade criminosa do arguido de tirar a vida à mulher com a qual se casou e que lhe tinha dado uma filha", sublinhando que as provas não deixam dúvidas quanto à autoria do crime. Lembrou que a PJ recolheu uma t-shirt, que tinha sangue da vítima e vestígios de DNA do arguido, e uma luva, propriedade do acusado, também com sangue. Além disso, as cápsulas e projécteis recolhidos junto à lagoa são "muito provavelmente" da arma apreendida pelas autoridades e que pertence ao réu, como o próprio admitiu. Quanto ao móbil do crime, considerou restarem poucas dúvidas quanto à vontade do alegado assassino de refazer a sua vida com outra mulher - a empregada do café onde passava o seu tempo livre - mesmo que tal possibilidade só existisse "na cabeça dele", como o procurador fez questão de destacar. O advogado da família da vítima, Nuno Lobo, pediu a pena máxima, referindo que "só assim será feita justiça". O defensor do arguido, Albertino Figueiredo, adiantou haver "muitas dúvidas" acerca do crime. Na sua opinião, não ficaram provadas as circunstâncias da morte de Carla Silva, nem o móbil do crime, afirmando que as teorias do procurador, quanto a uma possível amante, não passam disso mesmo. Pediu que seja feita justiça com base nas provas, analisadas de uma forma muito objectiva.
Vítima tentou defender-se
Das mais de duas dezenas de pessoas arroladas para serem inquiridas durante o dia de ontem pelo colectivo de juízes, apenas pouco mais de uma dezena foi ouvida, enquanto que as restantes foram dispensadas. O destaque vai para o testemunho da médica que realizou a autópsia ao corpo da vítima. A profissional de saúde relatou, com base nos ferimentos que encontrou, o modo como Carla Silva terá morrido. De acordo com a inquirida, a mulher terá sido atingida inúmeras vezes. Explicou que o corpo foi atravessado, pelo menos, três vezes por projécteis de calibre 6.35 mm, dos quais foram recuperados vários no interior do cadáver e no carro. Adiantou ainda que tudo indica que a vítima tentou defender-se, cobrindo a cabeça e a cara - atingidas várias vezes - com o braço direito, sendo que no membro superior ficou alojada uma das balas. Um dos últimos disparos terá atingido as costas, o que indicia que a mulher tentou fugir do seu agressor. Quanto aos ferimentos no crânio, a médica explicou que terão sido provocadas com fortes pancadas, com recurso, por exemplo, a uma pedra. Só depois é que a vítima se afogou nas águas da lagoa. A profissional de saúde defendeu que a morte terá sido de uma "extrema violência", provocando dores "inimagináveis". Muito provavelmente, Carla Sofia ainda estava consciente quando caiu, em circunstâncias que ficaram por esclarecer, à água, sem forças para chegar à margem, morrendo afogada.
Sentença em Junho
A leitura da sentença está marcada para o início de Junho. Recorde-se que, além da duração da pena, o colectivo de juízes terá também de decidir sobre o pedido de indemnização interposto pela família da parte da vítima, sendo que a verba exigida é de quase meio milhão de euros.
José Fonseca (DV)
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| 6 Maio 2008 - 1325 visitas |
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