Em noticia avançada pelo Jornal Online ECO, dá conta que a fábrica da Stellantis em Mangualde surge como uma das unidades estratégicas no ambicioso plano de recuperação do grupo automóvel para os próximos cinco anos. Depois de se tornar a primeira fábrica em Portugal a produzir veículos elétricos em grande escala, a unidade mangualdense está posicionada para reforçar o seu papel no futuro industrial da Europa.
A Stellantis, um dos maiores grupos automóveis mundiais, apresentou esta semana o “FaSTLAne 2030”, um plano estratégico avaliado em 60 mil milhões de euros, destinado a relançar o crescimento da empresa após um ano marcado por resultados financeiros negativos e desafios no mercado global.
No centro desta transformação está também Mangualde, cuja fábrica, com mais de 62 anos de história, já iniciou uma profunda reconversão tecnológica para a mobilidade elétrica.
Mangualde pioneira na produção elétrica em Portugal
Em julho de 2024, a unidade de Mangualde tornou-se a primeira fábrica portuguesa a produzir em grande escala veículos 100% elétricos, incluindo modelos comerciais ligeiros e de passageiros como o Citroën ë-Berlingo, Peugeot E-Partner e Fiat e-Doblò.
Esta transformação foi apoiada por 119 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitindo modernizar processos produtivos e adaptar a fábrica às novas exigências da indústria automóvel.
Agora, com o novo plano global da Stellantis, a aposta nos elétricos acessíveis produzidos na Europa poderá abrir novas oportunidades para Mangualde.
O objetivo do grupo passa por aumentar a utilização das fábricas europeias dos atuais 60% para 80% até 2030, o que poderá traduzir-se em maior produção e reforço da importância estratégica da unidade portuguesa.
Plano global quer recuperar crescimento
Depois de registar em 2025 um prejuízo histórico superior a 22 mil milhões de euros, a Stellantis pretende inverter o ciclo através de uma reorganização profunda das suas operações.
O plano prevê:
Mais de 60 novos modelos automóveis até 2030;
50 atualizações significativas em veículos existentes;
Reforço da produção de veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in;
Investimento superior a 24 mil milhões de euros em tecnologia, plataformas e inovação;
Expansão da utilização de Inteligência Artificial nos processos industriais.
A empresa pretende ainda reduzir custos operacionais e acelerar o desenvolvimento de novos veículos.
O que significa isto para Mangualde?
Para o concelho, o reforço do papel da fábrica poderá representar estabilidade industrial, manutenção do emprego qualificado e novas oportunidades económicas indiretas, numa região onde a unidade da Stellantis continua a ser um dos principais motores da atividade económica.
Num momento em que Mangualde assinala 40 anos da elevação a cidade, o posicionamento da fábrica no futuro da mobilidade elétrica europeia reforça o peso industrial do concelho e a sua capacidade de adaptação às transformações tecnológicas globais.
Embora o grupo ainda não tenha anunciado novos investimentos específicos para Mangualde no âmbito do “FaSTLAne 2030”, a reconversão já realizada coloca a unidade numa posição favorável para beneficiar da nova estratégia da multinacional.
O futuro da Stellantis está em redefinição — e Mangualde parece querer continuar a fazer parte dessa estrada.
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