Mangualde ocupa um lugar singular na história da indústria automóvel europeia. Foi em Mangualde, a 27 de julho de 1990, pelas 16:30h que saiu da linha de montagem o último Citroën 2CV produzido no mundo, encerrando um ciclo de mais de quatro décadas de um dos modelos mais icónicos da marca francesa.

A unidade industrial de Mangualde, então já consolidada como um importante polo de produção automóvel em Portugal, foi escolhida para concluir a produção do popular “dois cavalos”, um veículo que se tornou símbolo de simplicidade, robustez e acessibilidade. Lançado originalmente em 1948, o Citroën 2CV foi concebido para responder às necessidades de mobilidade de uma Europa rural do pós-guerra, rapidamente conquistando gerações de utilizadores.

Ao longo dos anos, Mangualde desempenhou um papel determinante na produção deste modelo, contribuindo para a sua difusão em vários mercados internacionais. A saída do último exemplar da fábrica portuguesa representou não apenas o fim da produção do 2CV, mas também o encerramento de um capítulo relevante da história industrial local.

Mais do que um automóvel, o 2CV tornou-se um fenómeno cultural, associado a um estilo de vida simples e funcional. Em Mangualde, permanece como um marco identitário, frequentemente recordado por antigos trabalhadores da fábrica e entusiastas do modelo.

Hoje, a cidade continua a afirmar-se como um centro industrial relevante no setor automóvel, mas a memória do último 2CV mantém-se viva como símbolo de uma época e de uma ligação profunda entre Mangualde e a história da Citroën.