1. Ao longo destes 40 anos desde a elevação de Mangualde a cidade, quais considera terem sido as maiores transformações no concelho, tanto ao nível económico como social?
Os últimos 40 anos representam um dos períodos mais transformadores da história de Mangualde. Evoluímos de um concelho marcadamente rural para um território industrial, empreendedor e cada vez mais competitivo, assumindo hoje um papel de destaque na região Centro.
A consolidação da indústria automóvel foi decisiva para esta transformação, impulsionando a economia e a criação de emprego. Contudo, o desenvolvimento do concelho foi muito além da dimensão económica. Houve um investimento consistente na educação, na saúde, na cultura, no desporto, na ação social e nos equipamentos públicos, permitindo melhorar significativamente a qualidade de vida da população e construir um território mais moderno, coeso e preparado para responder aos desafios das novas gerações.
Nos últimos anos, acrescentámos uma nova dimensão a este percurso de desenvolvimento: a valorização ambiental e a requalificação dos espaços públicos. A abertura da Quinta D. Leonor e a requalificação do Parque Urbano Ana de Castro Osório traduz uma nova forma de pensar a cidade, mais verde, saudável e próxima das pessoas.
Hoje, Mangualde é um concelho que cresce, atrai investimento e olha para o futuro com confiança. O aumento da população é um sinal claro dessa dinâmica. Em 2025, fomos o segundo concelho da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões com maior número de nascimentos, um indicador que nos motiva a continuar a criar condições para que mais famílias escolham viver no nosso território.
Estes 40 anos deram-nos muito mais do que desenvolvimento económico. Deram-nos experiência, capacidade e confiança para enfrentar os desafios das próximas décadas.
2. Que decisões ou investimentos do passado tiveram maior impacto no desenvolvimento de Mangualde e na afirmação da cidade na região?
A instalação e consolidação da indústria automóvel foi, naturalmente, um dos principais motores do desenvolvimento económico de Mangualde, criando emprego e reforçando a competitividade do concelho.
Paralelamente, houve uma aposta continuada na educação, nas acessibilidades e nos equipamentos sociais, culturais e desportivos, investimentos que contribuíram decisivamente para elevar a qualidade de vida dos mangualdenses.
Estamos agora a viver uma nova etapa deste percurso, marcada por um conjunto de investimentos estruturantes que irão moldar o futuro do concelho. Entre eles destacam-se a construção do Ecocentro de Mangualde, a requalificação das Piscinas Municipais, a criação de novas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), a reabilitação da Escola Secundária Felismina Alcântara, a construção de habitação pública, o lançamento do Interface Modal de Passageiros e a preparação da nova zona industrial.
Estamos igualmente a valorizar equipamentos estratégicos para a vida da cidade. A requalificação do Mercado Municipal devolver-lhe-á centralidade, acolhendo novos serviços, como o Balcão Único Municipal, tornando-o mais funcional e próximo dos cidadãos. Em simultâneo, criámos um verdadeiro Arquivo Municipal, dotado de condições modernas para preservar a memória coletiva e o património documental do concelho.
Também o investimento privado demonstra a confiança crescente em Mangualde. O aumento da construção de novos empreendimentos habitacionais confirma que o concelho é hoje um território cada vez mais atrativo para viver.
É precisamente da conjugação entre investimento público e iniciativa privada que nasce um desenvolvimento sólido e sustentável. É esse equilíbrio que continuamos a promover.
3. Como caracteriza hoje Mangualde enquanto cidade? Quais são os principais pontos fortes e os desafios que enfrenta atualmente?
Hoje, Mangualde é uma cidade de dimensão humana, economicamente dinâmica e com uma qualidade de vida cada vez mais reconhecida.
Somos um território industrial forte, mas também uma cidade onde é possível viver com tranquilidade, usufruir de espaços verdes, participar numa programação cultural diversificada e beneficiar de serviços públicos de qualidade.
O crescimento da população, a crescente procura por habitação e a dinâmica da construção privada demonstram que o concelho atravessa uma fase muito positiva.
Naturalmente, persistem desafios importantes. Temos de continuar a atrair talento, responder às necessidades de habitação, qualificar os recursos humanos, acelerar a transição energética e preparar o território para as novas exigências económicas.
É precisamente por isso que continuamos a investir em áreas estratégicas como a educação, a inovação, a sustentabilidade, a mobilidade e a habitação, criando condições para que Mangualde continue a crescer de forma equilibrada.
4. Mangualde tem uma forte ligação à indústria, nomeadamente ao setor automóvel. Como é que o município está a responder às novas exigências da transição energética, sustentabilidade e retenção de população jovem?
A indústria continuará a ser um dos pilares do desenvolvimento de Mangualde, mas sabemos que o futuro será cada vez mais sustentável, tecnológico e assente no conhecimento.
Estamos a preparar o concelho para liderar essa transformação. Além da nova zona industrial, queremos posicionar Mangualde como um território de referência na economia verde, criando condições para acolher investimentos ligados ao hidrogénio verde, ao biogás, ao metanol e a outras formas de energia sustentável.
Em paralelo, reforçamos o compromisso com a sustentabilidade ambiental através da expansão das infraestruturas de saneamento, com novas ETAR, e da valorização dos espaços verdes urbanos.
Mas fixar jovens significa muito mais do que criar emprego. Significa garantir acesso à habitação, educação de qualidade, cultura, desporto e boas condições para constituir família.
Nesse sentido, estamos a investir na habitação pública, acompanhando simultaneamente o crescimento da oferta privada. Reforçamos ainda a Escola Secundária Felismina Alcântara e desenvolvemos projetos ligados ao ensino superior, ao empreendedorismo e à inovação, criando um ecossistema onde os jovens possam estudar, trabalhar, criar empresas e construir o seu futuro em Mangualde.
5. Que cidade imagina para Mangualde nos próximos 10 ou 20 anos e quais são os projetos prioritários para concretizar essa visão?
Imagino uma cidade que continue a crescer sem perder a sua identidade.
Queremos um concelho mais inovador, sustentável, verde e atrativo, capaz de oferecer oportunidades a todas as gerações e de afirmar-se como um dos territórios mais competitivos do interior do país.
Para concretizar essa visão, estamos a investir em projetos estruturantes nas áreas da indústria, inovação, mobilidade, habitação, sustentabilidade ambiental, qualificação do espaço público e serviços às pessoas.
Queremos uma cidade preparada para competir à escala global, mas sempre centrada naquilo que mais importa: a qualidade de vida dos seus cidadãos.
6. Se pudesse deixar uma mensagem às gerações mais jovens sobre o futuro de Mangualde, que papel gostaria que elas desempenhassem na construção da cidade nos próximos 40 anos?
Gostaria de dizer aos mais jovens que acreditamos profundamente no futuro de Mangualde porque acreditamos neles.
Estamos a construir um concelho que cresce, cria oportunidades e encara o futuro com renovada confiança. Queremos que os jovens sejam protagonistas deste novo ciclo de desenvolvimento: que tragam novas ideias, criem empresas, participem na vida pública, inovem e contribuam para afirmar Mangualde como uma referência nacional em qualidade de vida, sustentabilidade e inovação.
Se há 40 anos celebrávamos a elevação de Mangualde a cidade, acredito que os próximos 40 serão recordados como o período em que o concelho deu um salto decisivo para se afirmar como uma das cidades mais dinâmicas, sustentáveis e competitivas do interior de Portugal.
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